Polo Carboquímico vai gerar empregos e reduzir importação de produtos gerados do carvão

30 novembro 2017
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Com a sanção da lei que institui o Polo Carboquímico no RS realizada pelo governador José Ivo Sartori no evento internacional Alternativas Sustentáveis do Uso do Carvão: Oportunidades do Complexo Carboquímico no Brasil, organizado pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), o Estado passará a ser autossustentável e reduzirá a dependência de produtos e insumos importados gerados a partir do mineral. A expectativa é dos participantes do encontro que reuniu investidores, empresários, lideranças políticas e especialistas na área durante todo o dia na sede da entidade. “Ao participar do projeto dos Polos Carboquímicos, a FIERGS quer colaborar na oferta de uma alternativa energética eficiente, que passa a contar com importantes avanços tecnológicos na sua utilização”, disse o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry.

Em seu discurso, Sartori ressaltou que o polo carboquímico é um grande passo para “superarmos preconceitos e visualizarmos oportunidades”. O governador prevê um incremento de 80% na produção do carvão no Rio Grande do Sul, que detém 90% das reservas do mineral no País. “O Estado vai estimular o setor e reduzir a nossa dependência externa do insumo, aliando crescimento econômico com cuidado com o meio ambiente”, afirmou.

O deputado estadual Lucas Redecker, que é ex-secretário de Minas e Energia e presidente da Frente Parlamentar da Mineração, falou das dificuldades enfrentadas ao assumir a Secretaria de Minas e Energia – recriada pelo governador José Ivo Sartori no começo de 2015 – e da expectativa de que o carvão mineral gaúcho pudesse participar de um leilão de energia. Com relação a criação de um polo carboquímico em solo gaúcho, Redecker disse que a possibilidade é real e que chegou o momento dos gaúchos unirem os esforços para tornarem ele real. “O polo carboquímico não vai perder em nada para o polo petroquímico de Triunfo, mas temos que nos comprometer todos com a lei que acaba de ser sancionada”, afirmou. Por fim, disse que sempre esteve e estará na linha de frente defendendo o carvão. “Meu apoio sempre foi favorável ao carvão. Temos uma riqueza enorme embaixo dos nossos pés e só depende de nós usarmos ela para gerar renda e valor agregado para o RS”.

Segundo o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Décio Oddone, o Brasil vive um momento de transformação no setor de energia, e que a sociedade deve debater com transparência e sem preconceitos temas como carvão mineral. Com o desenvolvimento tecnológico, a sua extração e produção não é mais agressiva ao meio ambiente.

Para o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Extração de Carvão Mineral (Sniec), César Weinschenck Faria, o Rio Grande do Sul tem limitações para importar gás natural e fertilizantes, insumos gerados a partir do carvão, mas possui este mineral em abundância em seu solo. “Por que não produzir aqui e gerar empregos?”, questionou.

Uma das oportunidades que se abre é a implantação de uma fábrica de gaseificação do carvão, com capacidade para a produção de cerca de 2,14 milhões de metros cúbicos diários de Gás Natural Sintético (GNS), com estimativa de investimento de US$ 2 bilhões – quatro anos de implantação e um ciclo de 20 anos de operação. A estimativa do impacto acumulado no período de 2019 a 2042 para o Estado seria de R$ 19,7 bilhões em Produto Interno Bruto, R$ 1,1 bilhão em ICMS, 5,4 mil empregos entre diretos e indiretos. A previsão também é de um PIB 2,91% maior na comparação com a não realização do investimento. Santa Catarina e Paraná também seriam beneficiados, com 0,94% e 0,63% de crescimento maior de PIB, respectivamente. Os dados foram apresentados pelo coordenador da pós-graduação de Desenvolvimento Econômico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Porsse.

Outros temas tratados no evento foram oportunidades de mercado, a política carboquímica estadual, o futuro do gás natural nas políticas públicas federais e o polo carboquímico sob o ponto de vista de tecnologia e meio ambiente, além da apresentação de cases de empresas como a Vamtec, a Posco e a IHI.

Política de Estado

No encontro, o secretário de Minas e Energia, Artur Lemos Júnior, apresentou aos fundos de investimento, bancos, investidores e proprietários de tecnologia existente no mercado o que o Estado pensa sobre a utilização do carvão. “A política do governo tem foco no desenvolvimento econômico, social e, principalmente, ambiental, pois o trabalho será voltado à recuperação de danos que vão existir e os já existentes”, destacou.

Lemos informou, ainda, que o projeto é estratégico para recuperar a economia gaúcha. “O retorno de ICMS na produção de gás natural de síntese (GNS), amônia e ureia – que importamos 100% do que utilizamos -, será significativo para os cofres públicos. Sem falar no impacto socioeconômico, com a geração de milhares de empregos diretos e indiretos”, considerou.

Oportunidade de mercado

Entre as vantagens do Rio Grande do Sul para a indústria carboquímica – além das reservas próprias de carvão, em locais bem servidos de infraestrutura logística -, está a cadeia diversificada, com boa estrutura de fornecimento nos segmentos metalmecânico, de plásticos e borracha e equipamentos de óleo e gás (que, adaptados, podem servir para a gaseificação do carvão). Pesam, também, um mercado consumidor dependente do gás natural e mercados relacionados, como o de fertilizantes (utilizados como insumo para a cadeia agrícola gaúcha, assim como do restante do Brasil e dos países do Mercosul).

Além disso, a rede de pesquisa do Rio Grande do Sul é responsável por um ambiente de conhecimento no segmento petroquímico, propício também para pesquisas relacionadas ao carboquímico. Da mesma forma, a mão de obra ligada ao setor petroquímico pode ser preparada para atuação na nova área.

Programas de atração de investimentos (Invest RS) e de qualificação de fornecedores (Desenvolve RS), um robusto sistema de financiamento, com três bancos públicos atuantes em projetos de longo prazo, e uma política de incentivos fiscais adequada a cada empreendimento completam o cenário do RS para o desenvolvimento da indústria carboquímica.

O encontro

O evento integra uma série de iniciativas do setor público para ampliar relacionamentos com fundos de investimentos internacionais e agentes do setor. Aborda a política estadual e as ações desenvolvidas no RS para a implantação do Polo Carboquímico. Apresenta painéis sobre as características da carboquímica e oportunidades para atrair investidores para o projeto.

O presidente da Fiergs, Gilberto Porcello Petry, salientou que “é preciso definir estratégias que estimulem a competitividade das indústrias, ampliando a matriz energética disponível. O Sistema Fiergs é parceiro para viabilizar programas que transformem o carvão mineral em riqueza e desenvolvimento econômico e social”.

O encontro é organizado pela Fiergs e conta com o apoio das secretarias de Minas e Energia (SME) e do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SDECT), do Sindicato Nacional da Indústria de Extração de Carvão (Sniec), do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM) e da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás).

Fonte: FIERGS e SME

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